Santa Cannabis e Abrace Esperança assinam termo de cooperação técnico-científica

Santa Cannabis e Abrace Esperança assinam termo de cooperação técnico-científica

A associação Santa Cannabis anuncia com orgulho, nesta terça-feira (10), que assinou um termo de cooperação técnica e científica com a Abrace Esperança, da Paraíba. A entidade nordestina é, desde 2017, a única autorizada pela Justiça Federal a cultivar maconha e produzir medicamentos para atender mais de 2 mil pacientes em todo Brasil.

O documento busca “estabelecer condições de cooperação mútua, com o objetivo de estender, ampliar, fortalecer e divulgar os procedimentos realizados com pacientes aptos a receber tratamento a base de Cannabis”. 

As duas entidades, a partir de agora, passam a trocar conhecimentos, compartilhar suas assessorias jurídicas e de tecnologia de informação, promover capacitação e treinamento de pessoal, além de apoio mútuo em eventos. O termo prevê ainda análise, com custo reduzido, de teores de canabinoides no aparelho HPLC e a indicação de pacientes na região de Santa Catarina.

“A Abrace é uma entidade séria, referência para todas as associações de pacientes no Brasil e faz o trabalho social que o Estado brasileiro se omitiu. Trabalhar em conjunto com a entidade para poder prestar, em breve, o mesmo atendimento no Sul do Brasil nos enche de honra”, destacou o presidente da Santa Cannabis, Pedro Sabaciauskis.

Através de sua assessoria jurídica, a Santa Cannabis busca na Justiça o Direito de cultivar a planta e produzir medicamentos para cerca de 150 pacientes associados.

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“É uma planta ou Césio 137” questiona presidente da Santa Cannabis em reunião da Anvisa sobre maconha medicinal

Pedro Sabaciauskis critica proposta da pela Anvisa para regular cannabis

A Anvisa promoveu uma reunião no dia 11 de junho para propor uma consulta pública sobre o cultivo de cannabis com fins medicinais no Brasil.

A proposta apresentada pela agência, no entanto, prevê uma série de exigências para a atividade, que ficaria restrita às empresas, deixando associações e auto-cultivadores de fora. Entre os requisitos, estão plantio exclusivo indoor, sistema de monitoramento 24h e acesso ao grow por biometria.

O presidente da Santa Cannabis, Pedro Sabaciauskis, criticou este modelo. Em um discurso forte durante a reunião, ele questionou se o que a Anvisa deseja é de fato “regulamentar a cannabis ou trazer a indústria química para regular esse mercado”.

Assista o discurso do Presidente da Santa Cannabis

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Palestra da Santa Cannabis reúne mais de 300 pessoas no auditório do Cesusc, em Florianópolis

Auditório do Cesusc, em Santo Antônio de Lisboa. Fotos: Tiago Wolter/ Divulgação

Mais de 300 pessoas lotaram o auditório do Cesusc, em Florianópolis, na noite desta quarta-feira (29), para assistir à palestra “O acesso à cannabis medicinal em SC”. O evento foi promovido pelo Núcleo de Execução Penal da faculdade em parceria com a Santa Cannabis.

O presidente da associação, Pedro Sabaciauskis, a diretora jurídica, Raquel Schramm, e o coordenador de saúde, Jeferson Monteiro, conversaram durante duas horas com o público, na maioria estudantes de Direito, além de pacientes que fazem uso do óleo e demais pessoas interessadas no tema.

A advogada Raquel Schramm abriu os trabalhos falando sobre a história da cannabis medicinal, depois fez um resgate do histórico jurídico e as questões criminais da maconha no Brasil. Jeferson Monteiro explicou as propriedades químicas e medicinais da planta, o efeito entourage e as indicações de uso. Por último, Pedro Sabaciauskis apresentou a Associação Catarinense de Cannabis Medicinal e explicou o trabalho desenvolvido pela entidade.

Advogada Raquel Scharamm falou sobre as questões criminais da maconha no Brasil

Evento teve depoimentos emocionantes

O encontro foi marcado por relatos na plateia de pessoas que tinham muito preconceito com relação à maconha, mas que compreenderam a planta depois de acompanhar os resultados positivos em familiares que fazem o uso medicinal da cannabis.

“Foi muito importante estar aqui esclarecendo os futuros advogados e juízes de Santa Catarina e do Brasil. Foi maravilhoso ver esse auditório lotado. Tomara que quando eles estiverem formados, a legislação do país já tenha mudado, e se não avançar, eles farão avançar”, desejou Pedro Sabaciauskis.

Veja mais imagens do evento

Pedro Sabaciauskis apresentou a Santa Cannabis para o público
Jeferson Monteiro explicou as propriedades químicas e medicinais da planta

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CBN Diário entrevista presidente da Santa Cannabis, Pedro Sabaciauskis, e médico Liceu Moletta

Pedro e Liceu em entrevista para o apresentador Felipe Reis

O presidente da Santa Cannabis, Pedro Sabaciauskis, e o médico Liceu Moletta deram entrevista para a Rádio CBN Diário, de Florianópolis, na sexta-feira (17). Os dois explicaram como funciona a Associação Catarinense de Cannabis Medicinal.

A entidade oferece orientação médica e jurídica para pacientes que precisam de tratamento com canabidiol (CBD) ou THC medicinal. Também falaram sobre os benefícios da cannabis medicinal e a luta contra o preconceito.

Em abril, o presidente da Santa Cannabis deu entrevista para a Rádio Guaíba, de Porto Alegre. E na semana passada, a entidade foi notícia nos portais ND Mais e Tudo Sobre Floripa.

ASSISTA à entrevista para a CBN Diário!

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Pacientes que precisam de cannabis medicinal têm apoio de associação em SC

Santa Cannabis possui profissionais da Saúde e do Direito; óleo está dando bons resultados em doenças como Parkinson, epilepsia e câncer

Dona Edna, 81 anos, paciente de Parkinson, ao lado do neto Pedro: ela voltou a ter qualidade de vida com o óleo

Publicado originalmente no portal Futurotopia

Apesar de ainda ser proibido no Brasil, milhares de pessoas que hoje necessitam de tratamento com cannabis medicinal têm conseguido através da Anvisa a autorização para importar o óleo ou, pela Justiça, um habeas corpus para cultivar a planta e extrair o medicamento. E enquanto a nossa legislação não segue o que já é praticado há anos em países desenvolvidos, Florianópolis, que tem vocação de cidade inovadora, agora conta com uma associação que acolhe esses pacientes: a Santa Cannabis.

No dia 16 de janeiro de 2019, foi assinada a ata inaugural da Associação Catarinense de Cannabis Medicinal. Nesses três meses, a entidade auxiliou mais de 30 pacientes com indicação para o uso do óleo de cannabis. A grande maioria teve resultados positivos para uma série de doenças, como epilepsia, depressão, fibromialgia e Alzheimer. Destes, o caso mais emblemático certamente é o da dona Edna Aparecida de Figueiredo, uma senhora de 81 anos, há dez diagnosticada com Parkinson.

No auge da doença, a aposentada não conseguia mais conversar claramente e faltava coordenação motora até para segurar o telefone na mão. Os remédios tradicionais que a aposentada tomava resolviam pouco. Porém, os efeitos colaterais eram pesados, como a incontinência urinária.

Pesquisando sobre terapias para o Parkinson, Pedro Sabaciauskis, neto da dona Edna, conheceu o neurocirurgião Pedro Antonio Pierro Neto, que passou a receitar o óleo de CBD e THC para a avó. A receita era pingar algumas gotas na boca de manhã, de tarde e à noite. A medicação começou a dar resultados menos de uma semana após o uso.

“Nunca mais eu consegui fazer nada. Pintava tela, fazia crochê e hoje não faço mais nada. Estou emocionada. Graças ao canabidiol estou conseguindo fazer tudo de novo. Se não fossem essas gotinhas, não sei o que seria de mim.”

Dona Edna com o corpo e rosto travados: mal conseguia falar claramente
Três meses após o uso da cannabis, fazendo exercícios na fisioterapia!

Foi vendo os resultados positivos na avó, o Pedro se motivou a criar uma associação que ajudasse os pacientes a ter acesso a informações sobre a cannabis medicinal e ao próprio medicamento.

“Tomei coragem de enfrentar os medos e preconceitos em nome da minha avó, que estava se tornando uma cadáver ambulante, intoxicada pela indústria química”.

Segundo explicou o Dr Pierro Neto, a cannabis pode ser usada por pacientes de qualquer idade, “para a maioria das doenças que têm essa indicação, desde que seja pelo uso compassivo, ou seja, quando tratamento pelos métodos convencionais não apresentou resultado clínico satisfatório e nesses casos a utilização do óleo à base de cannabis medicinal é permitido”.

Santa Catarina luta para conquistar primeiro Habeas corpus

Hoje há duas maneiras de se adquirir óleo de canabidiol legalmente no Brasil. A tradicional é através de um pedido de importação pela Anvisa. Desde 2015, quando o canabidiol foi retirado da lista de substâncias proscritas pela agência, já foram autorizadas 8.887 importações do medicamento. No entanto, o custo desse produto mais taxas fica em torno R$ 3 mil, enquanto que o óleo artesanal feito no País pode sair por menos de R$ 350.

Essa é a segunda forma legal de se obter o óleo: o plantio. Algumas associações de cannabis, como a Abrace e a Cannab, conseguiram autorização judicial para cultivar a planta e assim beneficiar centenas de pacientes. De acordo com a ONG Reforma Drogas, uma rede jurídica de apoio a mudanças na política de drogas no Brasil, já foram pedidos 42 habeas corpus para o cultivo de maconha com fins medicinais no Brasil, e 33 foram concedidos. Nenhum, no entanto, em Santa Catarina.

A advogada criminalista Raquel Schramm é integrante da Reforma Drogas e diretora jurídica da Santa Cannabis. Ela espera que o caso da dona Edna seja o primeiro habeas concedido no Estado para o plantio.

 

 

“Um paciente que precisa de cannabis medicinal para ter qualidade de vida deve buscar uma associação, que é um lugar acolhedor, uma fonte de confiança e que vai direcionar essa pessoa para o caminho correto. Indicará um médico que prescreve CBD, trará opções, ajudará no procedimento junto da Anvisa e acompanhará seus resultados”, explica a advogada.

Para que esse paciente não corra o risco de ser preso e julgado por tráfico de drogas, ele deve ter em mãos receita e histórico médico, além da autorização da Anvisa. Com esses documentos, é possível ingressar com um HC na Justiça. Trata-se de uma importante segurança jurídica que impede a polícia de entrar na casa do paciente, prendê-lo e ainda apreender a sua plantação.

Os associados da Santa Cannabis passam primeiro por uma assistente social e um psicólogo, que realiza a anamnese, uma entrevista que funciona como ponto inicial para diagnosticar uma doença. Depois a entidade busca um médico parceiro e oferece a assessoria jurídica.

A associação também tem o objetivo de fomentar os estudos do CBD e THC medicinal em Santa Catarina. No dia 12 de abril, organizou uma mesa redonda com a doutora Janaína Barboza, que palestrou sobre os avanços médicos do canabidiol. No evento, profissionais de saúde puderam conhecer mais sobre o assunto e esclarecer dúvidas.

“Além do acolhimento ao paciente, acompanhamento, médico e jurídico, também temos a função de chamar a sociedade como um todo à discutir sobre essa revolução que está acontecendo no mundo”, convida Pedro Sabaciauskis, que é o presidente da Santa Cannabis.